Nem todos sabem, mas não foi a Bethesda quem criou uma de suas maiores séries. Fallout foi concebido pelo estúdio estadunidense Interplay Entertainment após divergências com a EA sobre o RPG Wasteland, também criado pelo estúdio. Sem a capacidade de publicar um novo jogo da franquia, o primeiro Fallout foi o sucessor lançado pela subsidiária Black Isle.
Mesmo com o sucesso crítico de Fallout 1 e 2, seu estúdio estava em maus lençóis e foi forçado a vender sua propriedade intelectual para a Bethesda, e o resto é história. Desde então, a franquia de RPGs foi reimaginada como shooter em mundo aberto, alcançando maior público e rendendo até mesmo sua série produzida pela Amazon. Entretanto, alguns acreditam que a criadora de The Elder Scrolls e Starfield não compreenderam totalmente o universo Fallout e nem sequer estão interessados em fazê-lo.

Estamos falando de Chris Avellone, uma figura bem conhecida na indústria de videogames e designer do aclamado Fallout: New Vegas. Em uma conversa com um fã no Twitter/X, o desenvolvedor foi questionado sobre um boato de que a Bethesda odeia o spin-off produzido pela Obsidian, e respondeu com sua opinião sobre a abordagem atual desse mundo pós-apocalíptico.

“Não acho que a Bethesda odeie Fallout, eles simplesmente não entendem completamente suas raízes e, provavelmente, não se importam — eles são donos da franquia e só querem dar o seu toque pessoal a Fallout e torná-lo a norma. Isso geralmente se traduz em um parque temático colorido e vazio (com algumas exceções nos DLCs [de Fallout 4], como Far Harbor, Point Lookout – e eu era um dos que gostavam de The Pitt) – ainda assim, os parques temáticos são divertidos para algumas pessoas, então se as pessoas gostam deles, tudo bem”.
Avellone esclarece em seu último post que não odeia a Bethesda. Na verdade, ele reconhece a habilidade da desenvolvedora em projetar mundos abertos exploráveis. No entanto, como na maioria dos estúdios de jogos, há abordagens nas quais eles não se destacam. Avellone destaca que a Bethesda tem mais dificuldade em “contar histórias lineares em jogos de mundo aberto e em compreender como funciona a habilidade Fala”. No entanto, ele nos lembra que “toda desenvolvedora tem seus pontos fortes e fracos”.
Mesmo com as divergências em como a Bethesda deveria abordar e continuar a expandir o universo de Fallout, é visível que a empresa tem uma visão de negócio sólida para a franquia, além de contar com uma equipe talentosa para traduzi-la no audiovisual.
O impacto positivo da série tem sido sentido até mesmo nos números de jogadores em New Vegas, tema central da segunda temporada. Números públicos do SteamDB mostram que o jogo de 2010 teve um grande salto em popularidade, subindo sua média diária de cerca de 8 mil jogadores para quase 20 mil.

